quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Desencanto da Faculdade, Frente a Valorização do Curso Técnico


        
        Antigamente, cerca de 20 anos atrás mais ou menos, entorno de 5% da população brasileira ingressava em um curso superior, onde apenas 2% conseguia conclui-lo. Era é um verdadeiro sonho, um evento extraordinário poder fazer uma faculdade, só que tinha um problema, ou você era um “Einstein”, e ganhava uma bolsa de estudos ou tinha que ter muito dinheiro para arcar com os altos custos de uma graduação. E olha que, mesmo pagando muito, valia a pena faze-la, não só pelo conhecimento privilegiado que os novos formandos adquiriam perante as outras pessoas, mas também pela confortável situação que desfrutavam no mercado de trabalho da época, onde eram tidos como verdadeiros “doutores”, quase seres de outro mundo, com renda financeira muita superior ao do restante da população, e uma posição social invejável.

        Nos dias de hoje, essa realidade já não se torna tão visível, exceto por alguns cursos, notadamente os mais caros ou os mais recentemente criados, que têm urgência de profissionais qualificados, como medicina e os das novas tecnologias emergentes respectivamente, onde os retornos ainda são diferenciados e muito vantajosos para os novos formandos. As demais carreiras graduadas, todavia, se tornaram quase que um trabalho normal, não têm nada de mais, os tão conceituados advogados de outrora por exemplo, hoje encontram uma praça de labor super concorrida, há advogados pra todo lado, isso derruba os salários e torna diminuta a clientela. Engenheiros Civis, que antes tinham excelentes ordenados, hoje desenvolvem suas tarefas por até 700,00 reais por mês, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, jornalistas, “letrólogos” e uma infinidade de outros profissionais recém formados, dão o que fazer para ganhar um tostão. O mercado de trabalho, infelizmente, não consegue absorver essa enxurrada de novos profissionais, decorrente da super popularização de faculdades, isso sem falar naquelas cursos que estão muito menos valorizados, como Administração, que na prática, nem chega a ser uma profissão, os salários pagos a maioria dos seus representantes são baixíssimos e, em grande número, os detentores desse diploma, não administram empresas, apenas são mais um funcionário que compõem o quadro de trabalho da organização.

        Em contra partida, atividades que até o começo dos anos 90 eram consideradas sem prestigio, por não exigirem formação superior e seus executores não ganharem como graduados, atualmente andam oferecendo boas remunerações. É o caso dos eletricistas, encanadores, marceneiros, pedreiros, carpinteiros, mecânicos e muitas outras profissões autónomas. Um chefe de cozinha, por exemplo, que em muitos restaurantes não têm mais que o ensino fundamental como escolaridade, recebem em média R$2,500 mês de salário. Mecânicos, andam com suas oficinas abarrotadas, um trabalho que, tranquilamente, realizariam em até uma hora, hoje agendam a entrega, muitas vezes, para uma semana depois, e possuem renda mensal superior a 3 mil reais, tendo um grau de escolaridade que não atinge o ensino médio. Profissional de Serviços Gerais, que trabalha por conta própria, em um estado como o de São Paulo, lucram em média 4 mil reais em um período de trinta dias. Há ainda serviços muito mais rentáveis, como o de marceneiros e carpinteiros que ganham, periodicamente, proventos acima de 6 mil reais.

        Com as atuais facilidades em se fazer um curso superior, as pessoas acabaram migrando, do até então serviço informal, para a conquista de um diploma, o que acaba deixando um buraco, ou melhor dizendo, uma cratera em termos de defasagem entre um e outro. Portanto, pode-se concluir, que os papéis estão sendo invertidos, e a maioria das pessoas ainda não se apercebeu disso. Se antes um curso superior era sinonimo de prosperidade profissional, hoje, a realidade é outra, os cursos técnicos, ou simplesmente se você consegue fazer alguns daqueles serviços independentes citados acima, rapidamente adquire colocação no mercado de trabalho, e o que é melhor, trabalha por conta própria e obtém ótimos lucros. Sendo assim, o “sonho de uma faculdade”, na atualidade, é utopia, não que você não possa faze-la, ao contrário, pode e deve, mas é importante saber que o sucesso não será assim tão fácil como antes, e se você não tem certeza do que quer ser, procure uma área que absorva com maiores vantagens o novo profissional, não se esquecendo que em ultimo, e melhor caso, há o vasto campo dos serviços autônomos.




Lucas

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